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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Papa Bento XVI foi do exército de Hitler?


No livro O Sal da Terra o Papa conta sua vida

Alguns me perguntam se é verdade que o Papa Bento XVI fez parte do exército de Hitler. E isso infelizmente é utilizado por aqueles que querem denegrir a imagem do Sumo Pontífice. Como se pudesse caber na cabeça de alguém que um Cardeal da Igreja, hoje Papa, pudesse ter sido colaborador de um dos piores carrascos que a humanidade já viu. Somente pessoas com muita má fé ou por ignorância poderiam pensar tal desatino.
No livro “O Sal da Terra”, o então Cardeal Ratzinger deu um longa entrevista ao jornalista Peter Seewald, na qual conta a sua vida e seu maravilhoso trabalho de muitos anos pela Igreja. Entre outras coisas, o jornalista lhe perguntou: “O senhor pertenceu à Juventude Hitlerista?”; ao que ele respondeu:
“De início não pertencíamos. Contudo, com a introdução, em 1941, da juventude Hitlerista obrigatória, meu irmão tornou-se membro de acordo com essa norma. Eu ainda era muito novo [14 anos], mas mais tarde fui inscrito na juventude Hitlerista quando estava no seminário. Assim que saí do seminário, nunca mais fui lá. E isso era difícil porque a redução da mensalidade, de que eu realmente precisava, estava ligada à comprovação de freqüência à juventude Hitlerista. Mas, graças a Deus, tive um professor de Matemática muito compreensivo. Ele próprio era nazista, mas um homem consciencioso, que me disse “Vai lá uma vez para resolvermos isso…” Quando viu que eu realmente não queria ir, disse: “Entendo, eu dou um jeito nisso”, e assim pude ficar de fora (p. 44)”.
Pouco depois, os dois irmãos Ratzinger seminaristas foram mobilizados compulsoriamente e enviados para diferentes postos militares. O futuro Pontífice fez serviço militar na guarnição antiaérea de Munique, mas nunca atuou como soldado beligerante. Ele e outros tinham permissão de assistir às aulas no Colégio Maximiliano de Munique. Fora das horas de serviço, podiam fazer o que quisessem, e lá havia um grande grupo de católicos “engajados” que conseguiram organizar até aulas de religião, e de vez em quando podiam ir à igreja. (ver o livro “A minha vida”, Ed. Paulinas, SP).
Mais tarde, em 20 de setembro de 1944, ele foi levado para um campo de trabalhos forçados em Burgenland. “Aquelas semanas de trabalho braçal ficaram-me na memória como uma recordação opressiva. Aprendemos a pegar e levar sobre o ombro a enxada com uma cerimoniosa disciplina militar; a limpeza da enxada, na qual não podia ficar a menor partícula de pó, era um dos elementos essenciais dessa pseudo-liturgia… Toda uma liturgia e o mundo que se construía em torno dela apresentavam-se como uma grande mentira” (citado no livro “Joseph Ratzinger, uma biografia”, de Pablo Blanco, Ed. Quadrante 2005, pp. 31 e ss.).
Isso mostra que se o Santo Padre esteve na Juventude Hitlerista é porque foi obrigado, e dela se livrou tão logo foi possível; e, no exército jamais esteve à frente de uma batalha.

Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com
Prof. Felipe Aquino @pfelipeaquino, é casado, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Pergunte e Responderemos". Saiba mais em Blog do Professor Felipe Site do autor: www.cleofas.com.br

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Conheça a vida do Papa Bento XVI

Discreto, pontual, rigoroso e dono de uma simplicidade tamanha. Esses são alguns dos traços da personalidade do Cardeal Joseph Ratzinger na ótica da vaticanista portuguesa Aura Miguel. Além dessas características particulares, o Papa Bento XVI é um homem muito educado, sábio, respeitoso e humilde.

Bento XVI nasceu no dia 16 de Abril de 1927, um sábado santo, em Marktl am Inn, na Alemanha e foi batizado no mesmo dia do nascimento. Filho de Joseph e Maria ele teve dois irmãos mais velhos, Georg e Maria.

O pai era comissário da polícia, vindo de uma família de agricultores da Baixa Baviera, com condições econômicas modestas e a mãe era filha de artesãos de Rimsting, e antes de casar trabalhou como cozinheira.

Bento XVI passou a infância e adolescência em Traunstein, perto da fronteira com a Áustria. A juventude não foi uma época fácil na vida de Joseph. Viveu durante o período nazista e sua família o educou rigidamente para enfrentar essa dura realidade, pois os nazistas mantinham uma postura bastante hostil contra a Igreja Católica. O jovem Joseph viu os nazistas açoitarem o seu pároco antes da celebração da Santa Missa.

Mas foi durante essa experiência árdua que Bento XVI descobriu a beleza e a verdade da fé em Cristo. O testemunho de fé, de bondade e de esperança de sua família o conduziu a uma fé firme e decidida pela Igreja.

Joseph já estava estudando para ser padre quando foi chamado para servir seu país na infantaria alemã, serviu numa bateria antiaérea, estava com 16 anos.

Depois de alguns contratempos depois da guerra, volta para casa, e junto com seu irmão vai finalmente continuar seus estudos no seminário em Friesing.

Bento XVI recebeu a Ordenação Sacerdotal no dia 29 de junho de 1951. Depois de ordenado sacerdote, lecionou na Escola Superior de Freising. Mais adiante em 1953 se formou doutor em teologia com a tese ‘Povo e Casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho’.

Depois de quatro anos foi habilitado para o cargo de professor de teologia dogmática e fundamental na Escola Superior de Filosofia e Teologia de Freising, continuou a docência em Bonn, de 1959 a 1963; em Münster, de 1963 a 1966; e em Tubinga, de 1966 a 1969. A partir deste ano de 1969, passou a ser catedrático de dogmática e história do dogma na Universidade de Ratisbona, onde ocupou também o cargo de Vice-Reitor da Universidade.

No Concílio Vaticano, de 1962 a 1965, foi ‘perito’, na função de consultor teológico do Cardeal Joseph Frings, Arcebispo de Colônia.

Com uma intensa atividade científica, Bento XVI desempenhou cargo de destaque na Conferência Episcopal Alemã e na Comissão Teológica Internacional.

Merecedor da atenção do Papa Paulo VI, foi nomeado no dia 25 de março de 1977, Arcebispo de München e Freising. Bento XVI foi o primeiro sacerdote diocesano, depois de oitenta anos, que assumiu o governo pastoral da grande arquidiocese bávara. Seu tema episcopal ‘Colaborador da verdade’. Para definir sua contribuição na arquidiocese de Munchen e Freising, ele fez o seguinte discurso:
“Parecia-me, por um lado, encontrar nele a ligação entre a tarefa anterior de professor e a minha nova missão; o que estava em jogo, e continua a estar – embora com modalidades diferentes –, é seguir a verdade, estar ao seu serviço. E, por outro, escolhi este lema porque, no mundo atual, omite-se quase totalmente o tema da verdade, parecendo algo demasiado grande para o homem; e, todavia, tudo se desmorona se falta a verdade”.

No mesmo ano, Paulo VI nomeou-o Cardeal com o título presbiteral de ‘Santa Maria da Consolação no Tiburtino’, no Consistório, era o dia de 27 de Junho de 1977.

Participou no Conclave em 1978 que elegeu João Paulo I. Tempo depois o Papa João Paulo I nomeou Bento XVI como Enviado especial ao III Congresso Mariológico Internacional em Guayaquil, no Equador, de 16 a 24 de Setembro.

No mesmo ano com a morte do Papa João Paulo I, em outubro Bento XVI participou também no Conclave que elegeu João Paulo II.

Cargos e nomeações importantes na vida de Bento XVI

Depois da eleição do Papa João Paulo II Bento XVI ocupou diversos cargos e foi nomeado para importantes funções na Igreja.

Relator na V Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos realizada em 1980, que tinha como tema ‘Missão da família cristã no mundo contemporâneo’.

Presidente Delegado da VI Assembleia Geral Ordinária, celebrada em 1983, sobre ‘A reconciliação e a penitência na missão da Igreja’.

Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Comissão Teológica Internacional em 25 de Novembro de 1981 pelo papa João Paulo II.

Elevado à Ordem dos Bispos, atribuindo-lhe a sede suburbicária de Velletri-Segni, em 5 de Abril de 1993 pelo papa João Paulo II.

Presidente da Comissão encarregada da preparação do Catecismo da Igreja Católica, apresentou ao Santo Padre o novo Catecismo, após seis anos de trabalho, de 1986-1992.

Vice-Decano do Colégio Cardinalício realizado pelos Cardeais da Ordem dos Bispos.

Eleito Decano no dia 30 de Novembro de 2002 e com este cargo foi-lhe atribuída também a sede suburbicária de Óstia.

Na Cúria Romana ocupou múltiplas funções

Foi Membro do Conselho da Secretaria de Estado para as Relações com os Estados; das Congregações para as Igrejas Orientais, para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, para os Bispos, para a Evangelização dos Povos, para a Educação Católica, para o Clero, e para as Causas dos Santos; dos Conselhos Pontifícios para a Promoção da Unidade dos Cristãos, e para a Cultura; do Tribunal Supremo da Signatura Apostólica; e das Comissões Pontifícias para a América Latina, ‘Ecclesia Dei’, para a Interpretação Autêntica do Código de Direito Canônico, e para a revisão do Código de Direito Canônico Oriental.

Autor de diversas publicações

Ocupa lugar de destaque o livro ‘Introdução ao Cristianismo’, uma compilação de lições universitárias publicadas em 1968 sobre a profissão de fé apostólica, e o livro “Dogma e Revelação de 1973”, uma antologia de ensaios, homilias e meditações, dedicadas à pastoral.

A conferência que pronunciou perante a Academia Católica Bávara sobre o tema “Por que continuo ainda na Igreja?”; com a sua habitual clareza, afirmou então: “Só na Igreja é possível ser cristão, não ao lado da Igreja”, teve grande repercussão.

Seus estudos constituíam um ponto de referência para os que queriam entrar em profundidade no estudo da teologia.

Em 1985 publicou o livro-entrevista “Informe sobre a Fé” e, em 1996, “O sal da terra”.
Com 70 anos, publicou o livro “A escola da verdade”, onde aparecem ilustrados vários aspectos da sua personalidade e da sua obra por diversos autores.

Fonte consultada: Biografia de Sua Santidade Bento XVI, site do Vaticano.
Retirado do site: www.a12.com

sábado, 16 de fevereiro de 2013

A renúncia do Papa e os oportunistas da imprensa secular


Que a mídia secular não é o melhor meio para se informar a respeito da Igreja Católica, isso não é novidade. Basta fazer uma rápida leitura nas manchetes dos principais jornais do país a respeito da renúncia do Papa Bento XVI para se ter a certeza de que o amadorismo reina nessas aclamadas agências de notícias. No entanto, acreditar na simples inocência desses senhores e cobri-los com um véu de caridade por seus comentários maldosos e, muitas vezes, insultuosos não seria honesto. É necessário compreender muito bem que muitos desses veículos estão ardorosamente comprometidos com a desinformação e com os princípios contrários à reta moral defendida pela Igreja. Daí a quantidade de sandices que surgiram na mídia nos últimos dias.

Logo após o anúncio da decisão do Santo Padre, publicou-se na imprensa do mundo todo que a ação de Bento XVI causaria uma "revolução" sem precedentes na doutrina da Igreja. Uma atrapalhada correspondente de uma emissora brasileira afirmou que a renúncia do papa abriria caminho para as "reformas" do Concílio Vaticano II e que isso daria mais poderes aos bispos. Já outros declaravam que os recentes fatos colocavam em xeque o dogma da "Infalibilidade Papal", proclamado pelo Concílio Vaticano I. Nada mais fantasioso.

É verdade que uma renúncia tal qual a de Bento XVI nunca houve na história da Igreja. A última resignação de um papa aconteceu ainda na Idade Média e em circunstâncias bem diversas. Todavia, isso não significa que o Papa Ratzinger tenha modificado ou inventado qualquer novo dogma ou lei eclesiástica. O direito à renúncia do ministério petrino já estava previsto no Código do Direito Canônico, promulgado pelo Beato João Paulo II em 1983. Portanto, de modo livre e consciente - como explicou no seu discurso - Bento XVI apenas fez uso de um direito que a lei canônica lhe dava e nada nos autoriza a pensar que fora diferente. Usar desse pretexto para fazer afirmações tacanhas sobre dogmas e reformas na Igreja é simplesmente ridículo. Quem faz esses comentários carece de profundos conhecimentos sobre a doutrina católica, sobretudo a expressa no Concílio Vaticano II.

Outros comentaristas foram mais longe nas especulações e atestaram que a renúncia do Papa devia-se às pressões internas que ele sofria por seu perfil tradicionalista e conservador. Além disso, as crises pelos escândalos de pedofilia e vazamentos de documentos internos também teriam pesado na decisão. Não obstante, quem conhece o pensamento de Bento XVI sabe que ele jamais tomaria essa decisão se estivesse em meio a uma crise ou situação que exigisse uma particular solicitude pastoral. E isso ficou muito bem expresso na sua entrevista com o jornalista Peter Seewald - publicada no livro Luz do Mundo - na qual o Papa explica que em momentos de dificuldades, não é possível demitir-se e passar o problema para as mãos de outro.

Mas de todas as notícias veiculadas por esses jornais, certamente as mais esdrúxulas foram as que fizeram referência às antigas "profecias" apocalípiticas que prediziam o fim da Igreja Católica. Numa dessas reportagens, um notório jornal do Brasil dizia: "O anúncio da renúncia do papa Bento 16 fez relembrar a famosa "Profecia de São Malaquias", que anuncia o fim da Igreja e do mundo". É curioso notar o repentino surto de fé desses reconhecidos laicistas logo em teorias que proclamam o fim da Igreja. Isso tem muito a dizer a respeito deles e de suas intenções.

Por fim, também não faltaram os especialistas de plantão e teólogos liberais chamados pelas bancadas dos principais jornais do país para pedir a eleição de um papa "mais aberto". Segundo esses doutos senhores, a Igreja deveria ceder em assuntos morais, permitindo o uso da camisinha, do aborto e casamento gay para conter o êxodo de fiéis para as seitas protestantes. A essas pretensões deve-se responder claramente: A Igreja jamais permitirá aquilo que vai contra a vontade de Deus e nenhum Papa tem o poder de modificar isso. A doutrina católica é imutável. Ademais, os fiéis jovens da Igreja têm se mostrado cada vez mais conservadores e avessos à moral liberal. Inovações liberais para atrair fiéis nunca deram certo e os bancos vazios da Igreja Anglicana são a maior prova disso.

O comportamento vil da mídia secular leva-nos a fazer sérios questionamentos sobre a credibilidade e idoneidade dos chefes de redações que compõem as mesas desses jornais. Das duas, uma: ou esses senhores carecem de formação adequada e por isso seus textos são recheados de ignorâncias e nonsenses, ou então, esses doutos jornalistas têm um sério compromisso com a desinformação e a manipulação dos fatos, algo que está diametralmente oposto ao Código de Ética do Jornalismo. Se fôssemos seguir a cartilha desses órgãos de imprensa, hoje seríamos obrigados a crer que Bento XVI liberou a camisinha, excomungou o boi e o jumento do presépio, acobertou padres pedófilos e mais uma série de disparates que uma simples leitura correta dos fatos seria o suficiente para derrubar a mentira.

Na sua mensagem para o Dia Mundial da Comunicação de 2008, o Papa Bento XVI alertou para os riscos de uma mídia que não está comprometida com a reta informação. "Constata-se, por exemplo, que em certos casos as mídias são utilizadas, não para um correcto serviço de informação, mas para «criar» os próprios acontecimentos", denunciou o Santo Padre. Bento XVI assinalou que os meios de comunicação devem estar ordenados para a busca da verdade e a sua partilha. Pelo jeito, a imprensa secular ainda tem muito a aprender com o Santo Padre.

Fonte: http://padrepauloricardo.org/blog

Non prævalebunt!


Na manhã deste dia 11 de fevereiro, memória de Nossa Senhora de Lourdes, fomos colhidos pela notícia espantosa de que o Santo Padre, o Papa Bento XVI, renunciou ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro.

Em discurso ao Consistório dos Cardeais reunidos diante dele, o Papa declarou que o faz "bem consciente da gravidade deste ato" e "com plena liberdade".

É evidente que a renúncia de um Papa é algo inaudito nos tempos modernos. A última renúncia foi de Gregório XII em 1415. A notícia nos deixa a todos perplexos e com um grande sentimento de perda. Mas este sentimento é um bom sinal. É sinal de que amamos o Papa, e, porque o amamos, estamos chocados com a sua decisão.

Diante da novidade do gesto, no entanto, já começam a surgir teorias fabulosas de que o Papa estaria renunciando por causa das dificuldades de seu pontificado ou que até mesmo estaria sofrendo pressões não se sabe de que espécie.

O fato, porém, é que, conhecendo a personalidade e o pensamento de Bento XVI, nada nos autoriza a arriscar esta hipótese. No seu livro Luz do mundo (p. 48-49), o Santo Padre já previa esta possibilidade da renúncia. Durante a entrevista, o Santo Padre falava com o jornalista Peter Seewald a respeito dos escândalos de pedofilia e as pressões:

Pergunta: Pensou, alguma vez, em pedir demissão?
Resposta: Quando o perigo é grande, não é possível escapar. Eis porque este, certamente, não é o momento de demitir-se. Precisamente em momentos como estes é que se faz necessário resistir e superar as situações difíceis. Este é o meu pensamento. É possível demitir-se em um momento de serenidade, ou quando simplesmente já não se aguenta. Não é possível, porém, fugir justamente no momento do perigo e dizer: "Que outro cuide disso!"

Pergunta: Por conseguinte, é imaginável uma situação na qual o senhor considere oportuno que o Papa se demita?
Resposta: Sim. Quando um Papa chega à clara consciência de já não se encontrar em condições físicas, mentais e espirituais de exercer o encargo que lhe foi confiado, então tem o direito – e, em algumas circunstâncias, também o dever – de pedir demissão.

Ou seja, o próprio Papa reconhece que a renúncia diante de crises e pressões seria uma imoralidade. Seria a fuga do pastor e o abandono das ovelhas, como ele sabiamente nos exortava em sua homilia de início de ministério: "Rezai por mim, para que eu não fuja, por receio, diante dos lobos" (24/04/2005).

Se hoje o Papa renuncia, podemos deduzir destas suas palavras programáticas, é porque vê que seja um momento de serenidade, em que os vagalhões das grandes crises parecem ter dado uma trégua, ao menos temporária, à barca de Pedro.

Podemos também deduzir que o Santo Padre escolheu o timing mais oportuno para sua renúncia, considerando dois aspectos:

1. Ele está plenamente lúcido. Seria realmente bastante inquietante que a notícia da renúncia viesse num momento em que, por razões de senilidade ou por alguma outra circunstância, pudéssemos legitimamente duvidar que o Santo Padre não estivesse compos sui (dono de si).

2. Estamos no início da quaresma. Com a quaresma a Igreja entra num grande retiro espiritual e não há momento mais oportuno para prepararmos um conclave através de nossas orações e sacrifícios espirituais. O novo Pontífice irá inaugurar seu ministério na proximidade da Páscoa do Senhor.

Por isto, apesar do grande sentimento de vazio e de perplexidade deste momento solene de nossa história, nada nos autoriza moralmente a duvidar do gesto do Santo Padre e nem deixar de depositar em Deus nossa confiança.

Peçamos com a Virgem de Lourdes que o Senhor, mais uma vez, derrame o dom do Espírito Santo sobre a sua Igreja e que o Colégio dos Cardeais escolha com sabedoria um novo Vigário de Cristo.

Nosso coração, cheio de gratidão pelo ministério de Bento XVI, gostaria que esta notícia não fosse verdade. Mas, se confiamos no Papa até aqui, porque agora negar-lhe a nossa confiança? Como filhos, nos vem a vontade de dizer: "não se vá, não nos deixe, não nos abandone!"

Mas não estamos sendo abandonados. A Igreja de Cristo permanecerá eternamente. O que o gesto do Papa então pede de nós, é mais do que confiança. Ele nos pede a fé! Talvez seja este um dos maiores atos de fé aos quais seremos chamados, num ano que, providencialmente, foi dedicado pelo próprio Bento XVI à Fé.

Fé naquelas palavras ditas por Nosso Senhor a São Pedro e a seus sucessores: "As portas do inferno não prevalecerão!" (Mt 16, 18).

Estas palavras permanecem inabaláveis através dos séculos!
Autor: Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Angelus: 'Antes de poder falar de Deus e com Deus, é necessário escutá-lo'


Bento XVI falou no Angelus deste domingo (27) sobre a necessidade do homem colocar-se à escuta de Deus.  

“Antes de poder falar de Deus e com Deus, é necessário escutá-lo, e a liturgia da Igreja é a ‘escola’ desta escuta do Senhor que fala”.

O Pontífice destacou na oração o Evangelho dominical em que Jesus é apresentado como “a força do Espírito” que fala à Sinagoga.

O trecho lido por Jesus na Sinagoga é um texto que o Profeta Isaías escreveu sobre o próprio Jesus.

“O Espírito do Senhor está sobre mim, pois o Senhor me consagrou pela unção e me enviou a levar a Boa Nova aos humildes”.

O papa prosseguiu dizendo que a passagem escolhida por Jesus não foi obra do acaso, mas “obra da Divina Providência” e continuou:

“Jesus, de fato, terminada a leitura, em um silêncio cheio de atenção, disse: ‘Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir’”.

Bento XVI destacou em toda a sua reflexão a palavra “hoje”, repetida diversas vezes pelo evangelista Lucas.  

“O termo ‘hoje’, muito querido por São Lucas, relata-nos o título cristológico preferido pelo próprio Evangelista, aquele de Salvador. Já nos relatos da infância, esse está presente nas palavras do anjo aos pastores: ‘Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, Cristo Senhor’”.

Jesus é o “hoje” da Salvação na história. Nele se cumpre a Redenção.

Diante dessa mensagem, Bento XVI reforça a importância de viver um domingo voltado para o Senhor, para o descanso e a família.

“Antes de tudo nos faz pensar no nosso modo de viver o domingo: dia de repouso e da família, mas antes ainda dia de dedicar ao Senhor, participando da Eucaristia, na qual nos alimentamos do Corpo e Sangue de Cristo e da sua Palavra de vida”.

O Evangelho - prossegue o papa - também traz a necessidade do homem colocar-se à escuta do que Deus tem a falar na sua história pessoal.

“Antes de poder falar de Deus e com Deus, é necessário escutá-lo, e a liturgia da Igreja é a ‘escola’ desta escuta do Senhor que fala”.

Nessa atitude de ouvir o que Deus tem a dizer, o papa finalizou sua mensagem dizendo:

“Cada momento pode se tornar um ‘hoje’ propício para a nossa conversão. Cada dia pode se tornar o ‘hoje’ salvífico, pois a salvação é uma história contínua para a Igreja e para cada discípulo de Cristo. Acolha o ‘hoje’ onde Deus te oferece a salvação. A Virgem Maria seja sempre o nosso modelo e a nossa guia no saber reconhecer e acolher, a cada dia da nossa vida, a presença de Deus, Salvador nosso e de toda a humanidade”.

Fonte: www.a12.com