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sábado, 8 de junho de 2013

Entronização do Sagrado Coração de Jesus


A atividade apostólica da difusão da Entronização do Sagrado Coração nas famílias oferece uma forma de aproximação especialmente favorável, como poderá verificar-se, para entrar em contato com as famílias e com elas criar amizade.

Os ideais e métodos que devem caracterizar contatos desta natureza são tratados no capítulo 39 – Principais diretrizes do Apostolado Legionário. Ali se insiste suficientemente que, dentro do possível, não devemos deixar de visitar qualquer família, e que, em todas elas, devemos esforçar-nos, com dedicação e perseverança, por levar cada uma das pessoas, jovens e adultos, sem exceção, a subir ao menos um degrau na vida espiritual.

Os legionários designados para este trabalho podem aplicar a si próprios inteiramente as doze Promessas do Coração de Jesus. A décima diz-lhes respeito, de modo particular, quando atuam como representantes do sacerdote: “Darei aos sacerdotes a graça de tocar os corações mais endurecidos”. Animados especialmente por este pensamento, os legionários atacarão com inabalável confiança os casos que todos consideram “desesperados”.

As visitas, no intento de entronizar o Sagrado Coração de Jesus nas famílias, constituem a mais frutuosa apresentação dos legionários, visto manifestarem, desde o início, uma piedade simples e desafetada, e facilitarem o conhecimento mútuo, as visitas freqüentes e o progresso do apostolado legionário.

Sendo a missão de Maria estabelecer o reinado de Jesus nos corações, existe uma singular conveniência em que a Legião propague com ardor a Entronização, apostolado que atrairá sobre ela especiais graças do Espírito Santo.

“Amar a família significa saber estimar os seus valores e possibilidades, promovendo-os sempre. Amar a família significa descobrir os perigos e os males que a ameaçam, para poder superá-los. Amar a família significa empenhar-se em criar um ambiente favorável ao seu desenvolvimento. E, por fim, forma eminente de amor à família cristã de hoje, muitas vezes tentada pelo desânimo e angustiada por crescentes dificuldades, é dar-lhe novamente razões de confiança em si mesma, nas riquezas próprias que lhe advêm da natureza e da graça, e na missão que Deus lhe confiou. “É necessário que as famílias do nosso tempo tomem novamente altura! É necessário que sigam a Cristo.” (AAS 72).” (FC 86)

Fonte: Manual da Legião de Maria, pág. 231

O que devo fazer para Entronizar em minha 
casa o Sagrado Coração de Jesus?
  1. Procure informar-se sobre a Entronização: o que é, e como é importante fazê-la.
  2. É bom ter um sacerdote a presidir à cerimónia, mas isso não é essencial para se obterem as indulgências. Havendo um forte motivo para tal, pode ser o pai ou outra pessoa da família a presidir e a conduzir as orações.
  3. Sempre que possível, na manhã desse dia, não deixe de oferecer o Santo Sacrifício da Missa pelo Reinado do Sagrado Coração de Jesus no seu lar, e como ato de amor e Reparação ao Coração Sacratíssimo do nosso Salvador. Toda a família deve também fazer os possíveis por receber a Sagrada Comunhão, nessa ou noutra Missa.
  4. Arranje um quadro (ou imagem) do Sagrado Coração de Jesus – o mais belo que encontrar. Se já possui um em sua casa, então use esse quadro.
  5. Por baixo do lugar de honra escolhido, prepare o “trono” ou o “altar” reservado ao Coração de Jesus: uma mesa (ou uma prateleira de fogão ou uma simples prateleira) coberta com um paninho branco, bordado, e enfeitado com a beleza de flores e velas. Antes da cerimônia da Entronização, coloque perto do “trono” uma mesinha: aí terá água benta e o quadro ou imagem a ser entronizado(a). 
  6. Convide parentes e amigos para a cerimônia – começará assim a ser um “apóstolo do Sagrado Coração”. Faça uma festa de família depois da cerimônia, tendo um mimo especial para as crianças que, evidentemente, devem estar presentes à Entronização, mesmo as mais pequeninas. 
  7. Faça deste dia um dos acontecimentos mais importantes da sua vida familiar – algo que mereça ser relembrado. Quanto maior for a solenidade, melhor.
Nota: Não há maneira mais apropriada de um jovem casal começar a sua nova vida em comum do que com a Entronização do Sagrado Coração de Jesus no seu novo lar.

Preparar a Entronização

Para a cerimônia da Entronização deve escolher-se um dia de especial significado para a família – o aniversário de casamento, por exemplo –, uma festa litúrgica apropriada, ou um dia em que o sacerdote possa estar presente, quando possível.

Quanto melhor e mais seriamente for preparada a Entronização, maiores serão as bênçãos que dela advirão sobre a  família. A preparação pode prolongar-se por três dias (um tríduo) ou por nove dias (uma novena), e poderá consistir na recitação da Ladainha do Sagrado Coração de Jesus logo após a seguinte oração preparatória:

Oração

Ó Divino Coração de Jesus, Vinde habitar conosco! Nós Vos amamos! Visitai a nossa casa, como um dia Vos viestes fazer aos Vossos amigos em Caná, na Betânia, e à casa de Zaqueu, o publicano. Nós queremos entregar ao Vosso cuidado a nossa família, e levá-la a uma íntima união Convosco, ó Sagrado Coração de Jesus, que Sois o nosso Amigo mais fiel. Nunca ninguém nos amou tanto como Vós nos amastes. E nós queremos amar-Vos por aqueles que não Vos amam, pois Vós sois o nosso Deus e o nosso Salvador. Sois também o Nosso Senhor e o Nosso Rei. Por muito numerosos que sejam os que desdenham da Vossa Realeza, nós queremos atraí-La a nós: que Ela desça sobre a nossa família. Tomai como propriedade Vossa este lar, onde havemos de conservar um trono, como lugar de honra para Vós.

Fazei com que o dia da Entronização seja, tanto para a nossa família como para Vós, um dia de grande alegria; e que seja para nós o começo de uma vida toda ela em verdadeira submissão à Vossa vontade e em íntima união Convosco. Que todos os nossos pensamentos e acções estejam em harmonia com a Vossa Santa Lei. Queremos pôr de parte o nosso amor próprio desordenado e amar o nosso próximo como Vós nos amastes e continuais a amar-nos.

Vivemos num mundo que se tornou, na sua maior parte, outra vez pagão e que já não Vos conhece, ó Divino Coração de Jesus; por isso suplicamos da Vossa benévola presença que nos concedais a caridade dos primeiros Cristãos, dos Apóstolos e dos Mártires. Concedei que, por intermédio desta família que deseja pertencer-Vos totalmente, outras mais possam ter parte na Vossa caridade e que assim, de família em família, todo o mundo se submeta à Vossa Realeza.

Ó Coração Imaculado de Maria, modelo perfeito de fidelidade a Nosso Senhor e de união com Ele, alargai e fortalecei nos nossos corações e nas nossas famílias o reino da Caridade, o Reinado do Sagrado Coração de Jesus. Amém. 

Fonte: http://www.fatima.org/port/essentials/whatucando/otherdevotions/home.asp

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Bento XVI: "Onde Deus é esquecido, não existe paz"

"Devemos estar atentos contra a distorção do sagrado”

A rejeição a Deus pelo mundo contemporâneo leva à rejeição do outro, principalmente dos mais vulneráveis”. Foi uma das advertências feitas pelo Papa durante a tradicional Missa do Galo, segunda-feira, 24 de dezembro, na Basílica de São Pedro.

“Estamos completamente ‘cheios’ de nós mesmos, de modo que não resta qualquer espaço para Deus; deste modo, a grande questão moral sobre o modo como nos comportamos com os estrangeiros, os refugiados, os imigrantes ganha um sentido ainda mais fundamental: Temos verdadeiramente lugar para Deus, quando Ele tenta entrar em nós?” – questionou o Papa na missa, concelebrada no Altar da Confissão por cerca de 30 cardeais. 

No início da cerimônia, de mais de duas horas, acompanhada por um coral em latim, música de órgão e som de trombetas, Bento XVI percorreu a Basílica de São Pedro sobre uma plataforma móvel, saudando e abençoando os fiéis que o aplaudiam.

“Correntes de pensamento muito difundidas afirmam que a religião, em particular o monoteísmo, seria a causa da violência e das guerras no mundo; que seria preciso libertar a humanidade da religião para se estabelecer a paz; que o monoteísmo, a fé em um único Deus, seria prepotência, motivo de intolerância, já que por sua natureza tentaria se impor a todos com a pretensão da única verdade”.

“É certo que o monoteísmo serviu durante a história como pretexto para a intolerância e para a violência” – esclareceu o Pontífice, continuando: “É verdade que uma religião pode se desviar e chegar a se opor à natureza mais profunda quando o homem pensa que deve tomar em suas mãos a causa de Deus, fazendo de Deus sua propriedade privada. Devemos estar atentos contra a distorção do sagrado”.

A este respeito, Bento XVI definiu a violência em nome de Deus como uma “doença da religião”:

“Mas mesmo que seja incontestável um certo uso indevido da religião na história, não é verdade que o "não" a Deus restabeleceria a paz. Se a luz de Deus se apaga, se extingue também a dignidade divina do homem”, concluiu Bento XVI

Em seguida, o Papa convidou os fiéis a “irem ‘virtualmente’ a Belém, aos lugares onde o Senhor viveu, trabalhou e sofreu:

“Rezemos nesta hora pelas pessoas que atualmente vivem e sofrem em Belém. Rezemos para que lá haja paz. Rezemos para que israelenses e palestinos possam conduzir sua vida na paz do único Deus e na liberdade. Peçamos também pelos países vizinhos – o Líbano, a Síria, o Iraque, etc. – para que lá se consolide a paz. Que os cristãos possam conservar suas casas naqueles países onde teve origem a nossa fé; que cristãos e muçulmanos construam, juntos, seus países, na paz de Deus”.

Publicamos a seguir a íntegra da homilia proferida por Bento XVI na Missa do Galo, na noite desta segunda, 24, na Basílica de São Pedro. A tradução em português  é de autoria da Secretaria de Estado do Vaticano.

"Amados irmãos e irmãs!

A beleza deste Evangelho não cessa de tocar o nosso coração: uma beleza que é esplendor da verdade. Não cessa de nos comover o facto de Deus Se ter feito menino, para que nós pudéssemos amá-Lo, para que ousássemos amá-Lo, e, como menino, Se coloca confiadamente nas nossas mãos. Como se dissesse: Sei que o meu esplendor te assusta, que à vista da minha grandeza procuras impor-te a ti mesmo. Por isso venho a ti como menino, para que Me possas acolher e amar.

Sempre de novo me toca também a palavra do evangelista, dita quase de fugida, segundo a qual não havia lugar para eles na hospedaria. Inevitavelmente se põe a questão de saber como reagiria eu, se Maria e José batessem à minha porta. Haveria lugar para eles? E recordamos então que esta notícia, aparentemente casual, da falta de lugar na hospedaria que obriga a Sagrada Família a ir para o estábulo, foi aprofundada e referida na sua essência pelo evangelista João nestes termos: «Veio para o que era Seu, e os Seus não O acolheram» (Jo 1, 11). 

Deste modo, a grande questão moral sobre o modo como nos comportamos com os prófugos, os refugiados, os imigrantes ganha um sentido ainda mais fundamental: Temos verdadeiramente lugar para Deus, quando Ele tenta entrar em nós? Temos tempo e espaço para Ele? Porventura não é ao próprio Deus que rejeitamos? Isto começa pelo facto de não termos tempo para Ele. Quanto mais rapidamente nos podemos mover, quanto mais eficazes se tornam os meios que nos fazem poupar tempo, tanto menos tempo temos disponível. 

E Deus? O que diz respeito a Ele nunca parece uma questão urgente. O nosso tempo já está completamente preenchido. Mas vejamos o caso ainda mais em profundidade. Deus tem verdadeiramente um lugar no nosso pensamento? A metodologia do nosso pensamento está configurada de modo que, no fundo, Ele não deva existir. Mesmo quando parece bater à porta do nosso pensamento, temos de arranjar qualquer raciocínio para O afastar; o pensamento, para ser considerado «sério», deve ser configurado de modo que a «hipótese Deus» se torne supérflua. E também nos nossos sentimentos e vontade não há espaço para Ele. Queremo-nos a nós mesmos, queremos as coisas que se conseguem tocar, a felicidade que se pode experimentar, o sucesso dos nossos projectos pessoais e das nossas intenções. Estamos completamente «cheios» de nós mesmos, de tal modo que não resta qualquer espaço para Deus. E por isso não há espaço sequer para os outros, para as crianças, para os pobres, para os estrangeiros. 

A partir duma frase simples como esta sobre o lugar inexistente na hospedaria, podemos dar-nos conta da grande necessidade que há desta exortação de São Paulo: «Transformai-vos pela renovação da vossa mente» (Rm 12, 2). Paulo fala da renovação, da abertura do nosso intelecto (nous); fala, em geral, do modo como vemos o mundo e a nós mesmos. 

A conversão, de que temos necessidade, deve chegar verdadeiramente até às profundezas da nossa relação com a realidade. Peçamos ao Senhor para que nos tornemos vigilantes quanto à sua presença, para que ouçamos como Ele bate, de modo suave mas insistente, à porta do nosso ser e da nossa vontade. Peçamos para que se crie, no nosso íntimo, um espaço para Ele e possamos, deste modo, reconhecê-Lo também naqueles sob cujas vestes vem ter conosco: nas crianças, nos doentes e abandonados, nos marginalizados e pobres deste mundo.

Na narração do Natal, há ainda outro ponto que gostava de reflectir juntamente convosco: o hino de louvor que os anjos juntam à sua mensagem acerca do entoam depois de anunciar o Salvador recém-nascido: «Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens do seu agrado». Deus é glorioso. Deus é pura luz, esplendor da verdade e do amor. Ele é bom. É o verdadeiro bem, o bem por excelência. Os anjos que O rodeiam transmitem, primeiro, a pura e simples alegria pela percepção da glória de Deus.

O seu canto é uma irradiação da alegria que os inunda. Nas suas palavras, sentimos, por assim dizer, algo dos sons melodiosos do céu. No canto, não está subjacente qualquer pergunta sobre a finalidade; há simplesmente o facto de transbordarem da felicidade que deriva da percepção do puro esplendor da verdade e do amor de Deus. Queremos deixar-nos tocar por esta alegria: existe a verdade; existe a pura bondade; existe a luz pura. 

Deus é bom; Ele é o poder supremo que está acima de todos os poderes. Nesta noite, deveremos simplesmente alegrar-nos por este fato, juntamente com os anjos e os pastores.
E, com a glória de Deus nas alturas, está relacionada a paz na terra entre os homens. Onde não se dá glória a Deus, onde Ele é esquecido ou até mesmo negado, também não há paz. Hoje, porém, há correntes generalizadas de pensamento que afirmam o contrário: as religiões, mormente o monoteísmo, seriam a causa da violência e das guerras no mundo; primeiro seria preciso libertar a humanidade das religiões, para se criar então a paz; o monoteísmo, a fé no único Deus, seria prepotência, causa de intolerância, porque pretenderia, fundamentado na sua própria natureza, impor-se a todos com a pretensão da verdade única. 

É verdade que, na história, o monoteísmo serviu de pretexto para a intolerância e a violência. É verdade que uma religião pode adoecer e chegar a contrapor-se à sua natureza mais profunda, quando o homem pensa que deve ele mesmo deitar mão à causa de Deus, fazendo assim de Deus uma sua propriedade privada. Contra estas deturpações do sagrado, devemos estar vigilantes. Se é incontestável algum mau uso da religião na história, não é verdade que o «não» a Deus restabeleceria a paz. Se a luz de Deus se apaga, apaga-se também a dignidade divina do homem. Então, este deixa de ser a imagem de Deus, que devemos honrar em todos e cada um, no fraco, no estrangeiro, no pobre. Então deixamos de ser, todos, irmãos e irmãs, filhos do único Pai que, a partir do Pai, se encontram interligados uns aos outros. 

Os tipos de violência arrogante que aparecem então com o homem a desprezar e a esmagar o homem, vimo-los, em toda a sua crueldade, no século passado. Só quando a luz de Deus brilha sobre o homem e no homem, só quando cada homem é querido, conhecido e amado por Deus, só então, por mais miserável que seja a sua situação, a sua dignidade é inviolável. Na Noite Santa, o próprio Deus Se fez homem, como anunciara o profeta Isaías: o menino nascido aqui é «Emmanuel – Deus-connosco» (cf. Is 7, 14). E verdadeiramente, no decurso de todos estes séculos, não houve apenas casos de mau uso da religião; mas, da fé no Deus que Se fez homem, nunca cessou de brotar forças de reconciliação e magnanimidade. Na escuridão do pecado e da violência, esta fé fez entrar um raio luminoso de paz e bondade que continua a brilhar.

Assim, Cristo é a nossa paz e anunciou a paz àqueles que estavam longe e àqueles que estavam perto (cf. Ef 2, 14.17). Quanto não deveremos nós suplicar-Lhe nesta hora! Sim, Senhor, anunciai a paz também hoje a nós, tanto aos que estão longe como aos que estão perto. Fazei que também hoje das espadas se forjem foices (cf. Is 2, 4), que, em vez dos armamentos para a guerra, apareçam ajudas para os enfermos. Iluminai a quantos acreditam que devem praticar violência em vosso nome, para que aprendam a compreender o absurdo da violência e a reconhecer o vosso verdadeiro rosto. Ajudai a tornarmo-nos homens «do vosso agrado»: homens segundo a vossa imagem e, por conseguinte, homens de paz.

Logo que os anjos se afastaram, os pastores disseram uns para os outros: Coragem! Vamos até lá, a Belém, e vejamos esta palavra que nos foi mandada (cf. Lc 2, 15). Os pastores puseram-se apressadamente a caminho para Belém – diz-nos o evangelista (cf. 2, 16). Uma curiosidade santa os impelia, desejosos de verem numa manjedoura este menino, de quem o anjo tinha dito que era o Salvador, o Messias, o Senhor. A grande alegria, de que o próprio anjo falara, apoderara-se dos seus corações e dava-lhes asas.

Vamos até lá, a Belém: diz-nos hoje a liturgia da Igreja. Trans-eamus – lê-se na Bíblia latina – «atravessar», ir até lá, ousar o passo que vai mais além, que faz a «travessia», saindo dos nossos hábitos de pensamento e de vida e ultrapassando o mundo meramente material para chegarmos ao essencial, ao além, rumo àquele Deus que, por sua vez, viera ao lado de cá, para nós. Queremos pedir ao Senhor que nos dê a capacidade de ultrapassar os nossos limites, o nosso mundo; que nos ajude a encontrá-Lo, sobretudo no momento em que Ele mesmo, na Santa Eucaristia, Se coloca nas nossas mãos e no nosso coração.

Vamos até lá, a Belém! Ao dizermos estas palavras uns aos outros, como fizeram os pastores, não devemos pensar apenas na grande travessia até junto do Deus vivo, mas também na cidade concreta de Belém, em todos os lugares onde o Senhor viveu, trabalhou e sofreu. Rezemos nesta hora pelas pessoas que atualmente vivem e sofrem lá. Rezemos para que lá haja paz. Rezemos para que Israelitas e Palestinos possam conduzir a sua vida na paz do único Deus e na liberdade. Peçamos também pelos países vizinhos – o Líbano, a Síria, o Iraque, etc. – para que lá se consolide a paz. Que os cristãos possam conservar a sua casa naqueles países onde teve origem a nossa fé; que cristãos e muçulmanos construam, juntos, os seus países na paz de Deus.

Os pastores apressaram-se… Uma curiosidade santa e uma santa alegria os impelia. No nosso caso, talvez aconteça muito raramente que nos apressemos pelas coisas de Deus. Hoje, Deus não faz parte das realidades urgentes. As coisas de Deus – assim o pensamos e dizemos – podem esperar. E todavia Ele é a realidade mais importante, o Único que, em última análise, é verdadeiramente importante. Por que motivo não deveríamos também nós ser tomados pela curiosidade de ver mais de perto e conhecer o que Deus nos disse? Supliquemos-Lhe para que a curiosidade santa e a santa alegria dos pastores nos toquem nesta hora também a nós e assim vamos com alegria até lá, a Belém, para o Senhor que hoje vem de novo para nós.

 Amém.

Fonte: Arquidiocese de Maringá

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Ano da Fé: CREIO EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR


Vamos refletir agora sobre os nomes que Jesus recebeu e seus significados. Isso nos ajudará a conhecer melhor a verdadeira identidade de Jesus. A palavra Jesus, em hebraico, significa “Deus salva”. Com isso, compreendemos porque, ao aparecer a José em sonho, o Anjo do Senhor lhe disse: “José, filho de Davi, não tenha medo de receber Maria como esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e você lhe dará o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo de seus pecados” (MT 1,20-21). Quem pode perdoar pecados é somente Deus. Jesus é Deus, por isso tem o poder de nos perdoar. Ele traz no nome a sua missão: Ele é o nosso único salvador!

A palavra Cristo significa, em hebraico, “Messias”, que quer dizer “ungido”. “Ungido” é sobre quem foi derramado óleo perfumado, costume do antigo testamento que indicava escolha por Deus de uma pessoa para uma missão especial. Era o caso dos reis, dos sacerdotes e, em raras ocasiões, dos profetas. Jesus é o rei do mundo, o sumo sacerdote e o maior profeta.

Se esses eram ungidos para exercer de forma limitada uma dessas missões, quanto mais Jesus deveria ser ungido, já que tem as três missões e em plenitude. Porém, sobre Jesus não foi derramado óleo perfumado. No caso de Jesus, Aquele que ungiu é o Pai, o que foi ungido é o Filho e a unção foi o próprio Espírito Santo. Cristo então significa Aquele que foi ungido pelo Espírito Santo. Jesus é o Cristo porque “Deus o ungiu com o Espírito Santo e poder” (At 10,38).

Jesus é Filho Único de Deus. Todos somos filhos de Deus, mas Jesus o é de uma maneira inédita, única, sem comparação. Isso porque enquanto nós somos criaturas, ou seja, nós temos começo e fim, Jesus é eterno, sempre existiu. Ele é gerado, mas não criado, porque Ele é Deus. Jesus nunca disse “nosso Pai”, a não ser quando ensinou os discípulos a orar, mas eles é que deveriam dizer “Pai-nosso”. Ele usa mais de uma vez a distinção: “Meu Pai e vosso Pai” (Jo 20,17). Portanto, o modo como Jesus é Filho de Deus é um modo que só cabe a Ele. Ele é desde toda a eternidade Filho – segunda pessoa da Trindade - em relação ao Pai – primeira pessoa da Trindade.

Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai.

Jesus também é o “Senhor”, em grego “Kyrios”. Senhor significa dono, aquele que tem o domínio. Jesus revela o seu poder com seus gestos de domínio sobre a natureza (acalma o mar e faz calar os ventos), sobre as doenças (inúmeras curas),sobre os demônios (expulsava-os e não caiu em tentação), sobre a morte (com a ressurreição) e sobre o pecado (perdão infinito).

Festa de Cristo Rei


A Festa de Cristo Rei é uma das festas mais importantes no calendário litúrgico, nela celebramos aquele Cristo que é o Rei do universo. O seu Reino é o Reino da verdade e da vida, da santidade e da graça, da justiça, do amor e da paz.

Esta festa foi estabelecida pelo Papa Pio XI em 11 de março 1925. O Papa quis motivar os católicos para reconhecer em público que o líder da Igreja é Cristo Rei. Mais tarde a data da celebração foi mudada dando um novo senso.

O ano litúrgico termina com esta que salienta a importância de Cristo como centro da história universal. É o alfa e o omega, o princípio e o fim. Cristo reina nas pessoas com a mensagem de amor, justiça e serviço. O Reino de Cristo é eterno e universal, quer dizer, para sempre e para todos os homens.

Esta festa tem um sentido escatológico na qual nós celebramos Cristo como Rei de todo o universo. Nós sabemos que o Reino de Cristo já começou a partir de sua vinda na terra a quase dois mil anos, porém Cristo não reinará definitivamente em todos os homens até que volte ao mundo com toda a sua glória no final dos tempos. Jesus nos antecipou sobre esse grande dia, em Mateus 25, 31-46.

Na festa de Rei de Cristo celebramos que Cristo pode começar a reinar em nossos corações no momento em que nós permitimos isto a ele, e o Reino de Deus pode deste modo fazer-se presente em nossa vida. Desta forma estabelecemos o Reino de Cristo de agora em diante em nós mesmos e em nossas casas, emprego e vida.

Jesus nos fala das características do seu Reino por várias parábolas no capítulo 13 de Mateus:

"O reino dos céus é semelhante ao grão de mostarda que o homem, pegando dele, semeou no seu campo".

"O qual é realmente a mais pequena de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas, e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu, e se aninham nos seus ramos".

"O reino dos céus é semelhante ao fermento, que uma mulher toma e introduz em três medidas de farinha, até que tudo esteja levedado".

"Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo".

Nestas parábolas Jesus nos faz ver claramente que vale a pena procurar e viver o Reino de Deus, isto vale mais do que todos os tesouros da terra e que o crescimento dele será discreto, sem ninguém perceber, mas efetivo.

A Igreja tem a responsabilidade de orar e aumentar o reinado de Jesus Cristo entre os homens. O aumento do Reino de Deus deve ser o centro de nossa vida como membros da Igreja. Fazer com que Jesus Cristo reine no coração dos homens, no peito das casas, nas comunidades e nas cidades.

Com isto nós poderemos chegar a um mundo novo no qual reinará o amor, a paz e a justiça e a salvação eterna de todos os homens.

Para que Jesus reine em nossa vida, devemos em primeiro lugar conhecer Cristo. A leitura e reflexão do Evangelho, a oração pessoal e os sacramentos são os meios para conhece-Lo e as graças recebidas vão abrindo os nossos corações a seu amor. Trata-se de conhecer Cristo de uma maneira experimental e não só teleológica.

Oremos com profundidade escutando o Cristo que nos fala. Ao conhecer Cristo expressaremos o amor de maneira espontânea, por que Ele é bondade.

O amor a Cristo nos levará quase sem perceber a pensar como Cristo, querer como Cristo e sentir como Cristo, vivendo uma vida de verdadeira caridade e Cristandade autentica. Quando imitarmos Cristo conhecendo-o e amando-o, então podemos experimentar seu Reino.

O compromisso apostólico consiste em levar nosso amor para a ação de estender o Reino de Cristo a todas as almas por meio de trabalhos concretos de apostolado. Nós não podemos parar. Nosso amor aumentará.

Dedicar a nossa vida a expandir o Reino de Cristo na terra é o melhor que podemos fazer, pois Cristo nos recompensará com alegria e uma paz profunda e imperturbável em todas as circunstancias da vida.

Ao longo da história existem inumeráveis testemunhos de cristãos que deram a vida por Cristo como o Rei de suas vidas.

Fonte: Catholic.net

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O significado da Transfiguração de Jesus




Autor: Prof. Felipe Aquino

O  episódio misterioso da Transfiguração de Jesus sobre um monte elevado, o Tabor, diante de três testemunhas escolhidas por ele: Pedro, Tiago e João, se situa no contexto a partir do dia em que Pedro confessou diante dos Apóstolos que Jesus é o Cristo, "o Filho de Deus vivo". Esta confissão cristã aparece também  na exclamação do centurião diante de Jesus na cruz: "Verdadeiramente este homem era Filho de Deus" (Mc 15,39), pois somente no Mistério Pascal o cristão pode entender o pleno significado do título "Filho de Deus". 

A partir desta revelação de Pedro, inspirado pelo Pai, Jesus, diz S. Mateus, "começou a mostrar a seus discípulos que era necessário que fosse a Jerusalém e sofresse (...), que fosse morto e ressurgisse ao terceiro dia" (Mt 16,21). Pedro rechaça este anúncio, os demais também não o compreendem, mas Jesus mostra a eles que afastá-lo do cálice da Paixão, que ele deveria beber, era ser movido por Satanás.

O Evangelho segundo S. Lucas destaca a ação do Espírito Santo e o sentido da oração no ministério de Cristo. Jesus ora antes dos momentos decisivos de sua missão: antes de o Pai dar testemunho dele por ocasião do Batismo e também antes da Transfiguração, e antes de realizar por sua Paixão o plano de amor do Pai.

O rosto e as vestes de Jesus tornam-se fulgurantes de luz, Moisés e Elias aparecem, e é importante notar que o evangelista destaca sobre o que eles falavam: "de sua partida que iria se consumar em Jerusalém" (Lc 9,31). Uma nuvem os cobre e uma voz do céu diz: "Este é o meu Filho, o Eleito; ouvi-o" (Lc 9,35). 

A nuvem e a luz são dois símbolos inseparáveis nas manifestações do Espírito Santo. Desde as manifestações de Deus (teofanias) do Antigo Testamento, a Nuvem, ora escura, ora luminosa, revela o Deus vivo e salvador, escondendo a transcendência de sua Glória: com Moisés sobre a montanha do Sinai, na Tenda de Reunião e durante a caminhada no deserto; com Salomão por ocasião da dedicação do Templo.

Na Transfiguração a Trindade inteira se manifesta: o Pai, na voz; o Filho, no homem; o Espírito, na nuvem clara. E Jesus mostra sua glória divina, confirmando, assim, a confissão de Pedro. Mostra também que, para "entrar em sua glória" (Lc 24,26), deve passar pela Cruz em Jerusalém. Moisés e Elias haviam visto a glória de Deus sobre a Montanha; a Lei e os profetas tinham anunciado os sofrimentos do Messias. Fica claro que a Paixão de Jesus é sem dúvida a vontade do Pai: o Filho age como servo de Deus. 

A rica liturgia bizantina assim reza na festa da Transfiguração: "Vós vos transfigurastes na montanha e, porquanto eram capazes, vossos discípulos contemplaram vossa Glória, Cristo Deus, para que, quando vos vissem crucificado, compreendessem que vossa Paixão era voluntária e anunciassem ao mundo que vós sois verdadeiramente a irradiação do Pai."

No limiar da vida pública de Jesus temos o seu Batismo; no limiar da Páscoa, temos a sua Transfiguração. Pelo Batismo de Jesus foi manifestado o mistério da primeira regeneração: o nosso Batismo; já  a Transfiguração mostra a nossa própria ressurreição. Desde já  participamos da Ressurreição do Senhor pelo Espírito Santo que age nos sacramentos da Igreja.
A Transfiguração dá-nos um antegozo da vinda gloriosa do Cristo, como disse S. Paulo, " Ele vai transfigurar  nosso corpo humilhado, conformando-o ao seu corpo glorioso" (Fl 3,21). Mas ela nos lembra também que com Jesus "é preciso passarmos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus" (At 14,22). Por isso, como Cristo, o cristão não deve temer o sofrimento.

Unidos a Cristo pelo Batismo, já  participamos realmente na vida celeste de Cristo ressuscitado, mas esta vida permanece "escondida com Cristo em Deus" (Cl 3,3). "Com ele nos ressuscitou e fez-nos sentar nos céus, em Cristo Jesus" (Ef 2,6). Nutridos com seu Corpo na Eucaristia, já pertencemos ao Corpo de Cristo. Quando ressuscitarmos, no último dia, nós também seremos "manifestados com Ele cheios de glória" (Cl 3,3).

Santo Agostinho nos ensina que: "Pedro ainda não tinha compreendido isso ao desejar viver com Cristo sobre a Montanha. Ele reservou-te isto, Pedro, para depois da morte. Mas agora Ele mesmo diz: Desce para sofrer na terra, para servir na terra, para ser desprezado, crucificado na terra. A Vida desce para fazer-se matar; o Pão desce para ter fome; o Caminho desce para cansar-se da caminhada; a Fonte desce para ter sede; e tu recusas sofrer?" (Sermão 78,6).

Assim, pela Transfiguração Jesus preparou os discípulos para não se escandalizarem com a sua Paixão e morte na Cruz, o que para eles foi um trauma e um grande desafio; mostrou-lhes a Sua glória e divindade; e deu-lhes conhecer um antegozo do Céu. Mas para isso, como Ele, temos que passar pelas provações deste mundo, sempre ajudados pelas consolações de Deus.


quinta-feira, 26 de julho de 2012

São Joaquim e Sant’ Ana – Avós de Jesus


Na tradição cristã, Sant'Ana e São Joaquim são pais de Maria, portanto, avós de Jesus. E é por isso, que no dia 26, também é comemorado o dia dos avós.

A devoção a São Joaquim e Sant’Ana tornou-se popular especialmente na Alemanha. Em 1584, o Papa Gregório XIII fixou a data, 26 de julho, para a celebração dos pais de Maria, e o Papa Leão XIII a estendeu por toda a igreja.

Histórico

Os dados biográficos que sabemos sobre os pais de Maria foram legados pelo Proto-Evangelho de Tiago, obra citada em diversos estudos dos padres da Igreja Oriental, como Epifânio e Gregório de Nissa.

Sant'Ana, cujo nome em hebraico significa graça, pertencia à família do sacerdote Aarão e seu marido, São Joaquim, pertencia à família real de Davi.

Seu marido, São Joaquim, homem pio fora censurado pelo sacerdote Rúben por não ter filhos. Mas Sant’Ana já era idosa e estéril. Confiando no poder divino, São Joaquim retirou-se ao deserto para rezar e fazer penitência. Ali um anjo do Senhor lhe apareceu, dizendo que Deus havia ouvido suas preces. Tendo voltado ao lar, algum tempo depois Sant’Ana ficou grávida. A paciência e a resignação com que sofriam a esterilidade levaram-lhes ao prêmio de ter por filha aquela que havia de ser a Mãe de Jesus.

Eram residentes em Jerusalém, ao lado da piscina de Betesda, onde hoje se ergue a Basílica de Santana; e aí, num sábado, 8 de setembro do ano 20 a.C., nasceu-lhes uma filha que recebeu o nome de Miriam, que em hebraico significa "Senhora da Luz", passado para o latim como Maria. Maria foi oferecida ao Templo de Jerusalém aos três anos, tendo lá permanecido até os doze anos.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Ana

Oração a São Joaquim
Ó grande patriarca S. Joaquim, nosso glorioso padroeiro, nós, devotos vossos, nos regozijamos com o pensamento de terdes sido escolhido entre todos os santos, para cooperar nos mistérios divinos e enriquecer o mundo com a bem-aventurança Mãe de Deus e nossa, vossa filha Maria Santíssima. Por este singular privilégio, sois poderosíssimo junto à Mãe e o Filho de Deus, de sorte que não há graça que não possais alcançar. Recorro a vós, animado por essa confiança plena, pedindo vossa valiosíssima proteção e recomendando-vos todas as minhas necessidades espirituais e temporais bem como as da minha família. Peço-vos, ó glorioso santo, a graça especial de (pedido) e espero obtê-la pela vossa paternal intercessão. Peço particularmente a graça do amor perseverante a Jesus e Maria, a fim de que eu viva e morra na fé, esperança e caridade, invocando também o vosso bendito nome.  Amém.
Oração a Sant’ Ana
Senhora Santa Ana, fostes chamada por Deus a colaborar na salvação do mundo. Seguindo os caminhos da Providência Divina, recebestes São Joaquim por esposo. Deste vosso matrimônio, vivido em santidade, nasceu Maria Santíssima, que seria a Mãe de Jesus Cristo. Formando Vós família tão santa, confiantes nós pedimos por esta nossa família. Alcançai-nos a todos as graças de Deus: aos Pais deste lar, que vivam na Santidade do matrimônio e formem seus filhos segundo o Evangelho; aos Filhos desta casa, que cresçam em sabedoria, graça e santidade e encontrem a vocação a que Deus os chamou. E a Todos nós, Pais e Filhos, alcançai-nos a alegria de viver fielmente na Igreja de Cristo, guiados sempre pelo Espírito Santo, para que um dia após as alegrias e sofrimentos desta vida, mereçamos também nós chegar à casa do Pai, onde vos possamos encontrar, para juntos sermos eternamente felizes, no Cristo, pelo Espírito Santo. Amém.



sexta-feira, 15 de junho de 2012

15 de Junho - O Sagrado Coração de Jesus

 

         Como consequência das aparições de Nosso Senhor a Santa Margarida Maria Alacoque no mosteiro de Paray-le-Monial a partir de 1673, este culto teve um incremento notável e adquiriu a sua feição hoje conhecida. Nenhuma outra comunicação divina, fora as da Sagrada Escritura, receberam tantas aprovações e estímulos da parte do Magistério da Igreja como esta.

         Entre os documentos mestres nesta matéria encontramos a encíclica de Pio XII, “Haurietis aquas”, de 15 de Maio de 1956. Pio XII salienta que é o próprio Jesus que toma a iniciativa de nos apresentar o Seu Coração como fonte de restauração e de paz:
            “Vinde a mim, todos vós, que estais cansados e oprimidos, que Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (Mt. 11, 28-30)

         Não é por acaso que as aparições a Santa Margarida Maria deram-se num momento crucial em que se pretendia afirmar secularização e que a devoção ao Sagrado Coração apareceu sempre como o mais característico de todos os movimentos que resistiram à descristianização da sociedade moderna.

A GRANDE REVELAÇÃO.

         A chamada Grande Revelação foi feita a Margarida Maria durante a oitava da festa do Corpus Domini (Corpus Christi) de 1675.

 

         Mostrando o seu Coração divino, Jesus confiou à Santa:

         “Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou, até se esgotar e se consumir para lhes testemunhar seu amor. Como reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidões, pelas suas irreverências, sacrilégios, e pela tibieza e desprezo que têm para comigo na Eucaristia. Entretanto, o que Me é mais sensível é que há corações consagrados que agem assim. Por isto te peço que a primeira sexta-feira após a oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa particular para  honrar Meu Coração, comungando neste dia, e O reparando pelos insultos que recebeu durante o tempo em que foi exposto sobre os altares”.

         “Prometo-te que Meu Coração se dilatará para derramar os influxos de Seu amor divino sobre aqueles que Lhe prestarem esta honra”.

         Jesus apareceu-lhe numerosas vezes de 1673 até 1675. Dos seus colóquios com Nosso Senhor distinguem-se classicamente 12 promessas. Eis alguns extratos da Mensagem do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria.

            “Os fiéis acharão, pelo intermédio desta devoção amável, todos os socorros necessários ao seu estado, ou seja, a paz nas suas famílias, o alívio nos seus trabalhos, as bênçãos do Céu em todas as suas empresas, a consolação nas suas misérias, e é propriamente neste sagrado Coração que alcançarão um lugar de refúgio durante toda a vida e principalmente na hora da sua morte”.

         “O Meu divino Salvador fez-me compreender que aqueles que trabalham pela salvação das almas encontrarão a arte de comover os corações mais empedernidos e trabalharão com um êxito maravilhoso se eles mesmos estiverem penetrados de uma terna devoção ao divino Coração”.

         “Asseverando-Me que Ele recebia um contentamento singular em ser honrado sob a figura deste Coração de carne, cuja imagem desejava fosse exibida em público, com a finalidade – acrescentou – de tocar por seu intermédio o coração insensível dos homens; prometendo-me que derramaria em abundância todos os dons que possui em plenitude sobre todos aqueles que O honrassem; e que em todo lugar em que esta imagem fosse ostentada para ser objeto de especial honra ela atrairia toda sorte de bênçãos”.
         “Sinto-me totalmente imersa neste divino Coração; (...) estou como num abismo sem fundo onde Ele me revela os tesouros de amor e de graça que concede às pessoas que se consagram e sacrificam para lhe render e alcançar toda a honra, amor e glória de que são capazes”.

            “Confirmou-me o contentamento que recebe em ser amado, conhecido e venerado pelas suas criaturas e tão grande que prometeu-me que todos aqueles que Lhe sejam devotados e consagrados não morrerão jamais”.

            “Numa sexta-feira, durante a Sagrada Comunhão, disse estas palavras à sua indigna escrava: “Prometo-te, na excessiva misericórdia do meu Coração, que o seu amor onipotente obterá a todos aqueles que comunguem nove primeiras sextas-feiras do mês seguidas a graça da penitência final, que não morrerão na minha desgraça, sem receber os seus sacramentos e que o Meu divino Coração será o seu refúgio assegurado no último momento”. “Nada temas, Eu reinarei apesar dos meus inimigos e de todos aqueles que procurarão opor-se”.

            “Este amável Coração reinará, apesar de Satanás. Isto me arrebata de alegria.” “Afinal reinará, este amável Coração, apesar de todos os que se quererão opor. Satã e todos os seus seguidores serão confundidos”.

  
 AS DOZE PROMESSAS DO SAGRADO CORAÇÃO

A SANTA MARGARIDA MARIA ALACOQUE.

1.    A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração.

2.    Eu darei aos devotos do meu Coração todas as graças necessárias a seu estado.

3.    Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias.

4.    Eu os consolarei em todas as suas aflições.

5.    Serei seu refúgio seguro na vida, e principalmente na hora da morte.

6.    Lançarei bênçãos abundantes sobre todos os seus trabalhos e empreendimentos.

7.    Os pecadores encontrarão em meu Coração fonte inesgotável de misericórdias.

8.    As almas tíbias se tornarão fervorosas pela prática dessa devoção.

9.    As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma alta perfeição.

10. Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais empedernidos.

11. As pessoas que propagarem esta devoção terão os seus nomes inscritos para sempre no meu Coração.

12. A todos os que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna.

       http://www.derradeirasgracas.com